segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Âmago

Sentado à mesa se colocou na linha da minha visão
Uma mosquinha-da-fruta um inseto bem pequeno
Eu fiquei olhando e é como se o tempo estivesse mais lento
E eu senti a certeza da presença do momento daquela
Mosca minúscula senti que me olhava e eu também a percebi
E tudo em volta trazia um gosto de eterno ou de estar fora do tempo
Ou num tempo mágico, o mosquito-da-fruta estava ali
E quantidade incontável de seres também, até mesmo
Porque a linha do tempo é bem mais completa e complexa
E plural do que uma simples linha, isto é, no ponto tem-se
A linha, na linha a figura, na figura o sólido, num sólido
O hipersólido, por exemplo, no cubo o tesseract;
Carlos teve uma experiência sob a guia de Don Juan
Do estado alterado de consciência, mais propria/mente
Em segunda atenção, na qual ele viu um gigantesco alado
Guardião do outro mundo, que aliás é este mundo aqui
Mesmo, e que ele teve que desafiar e enfrentar, que ele
Teria um dia que ultrapassar, para transpassar a primeira
Atenção, e com o qual teve uma luta tremenda, e que se mostrou
Na consciência normal, como um simples mosquito;
Eu senti algo fractal do mesmo gênero infinito
Ao olhar casual/mente a mosca da fruta:
Pensei que espinosistamente podemos afirmar
Que o primeiro gênero de conhecimento é o vulgar,
Aquele que se chama de senso comum, a mentalidade
Do homem comum; o segundo é quando usamos a razão
E podemos ultrapassar as opiniões pré-concebidas
E as certezas engessadas, enlatadas, engarrafadas;
O terceiro é quando o ser humano consegue intuir
Direta/mente a essêncio do universo isto é o ser
Isto é a realidade de Deus;
Pensei também que existe o cara comum, que pareço ser,
E existe o iluminado, que levanta multidões numa onda
Transistórica e metatemporal, não vou dar exemplos de nomes
E biografias, porque esta simples poesia ficaria maior ainda
Se os desse; ainda temos os caras que são tipo um cara comum,
Mas que sentem a mesma atração que o aço sente pelo ímã
Gigante que está ao seu lado, quando ouvem música ou leem poesia
Ou ficam sabendo dos mitos que aliás de mitos não têm nada
E quando tenta entender qualquer coisa que seja e aí percebem
Que essa coisa é infinita em várias dimensões de vários
Modos e ele embarca nesses modos, sem ser um iliminado
Nem um gênio, mesmo assim ele viaja de carona da força
Do magnetismo que emana o ser humano e o irmana
Ao mundo e ao segundo e aos outros mundos, o qual é
Acima citado, esse poeta viajante navegante voador
Pode ser qualquer um, quando sente no âmago
De si mesmo a força criadora e divina do amor

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