Do que falo é que eu falo o que penso
Se pudesse ou quando puder ler
Na língua do Lácio você vai também ter certeza
Que os maiores poetas deles se chamaram
Virgílio e Lucrécio;
Foi no talento gigantesco desses caras
Que o pensamento ocidental degringolou?
Acho que não. Em outros contextos
O mesmo burburinho materialistinha escalou
E fez barulho até ficar tudo confuso;
Aquilo que a teoria da informação chama
De ruído é o que trouxe o imenso poeta latino:
O fator que inviabiliza ou quase impede
A transmissão da informação
Que pode ser um som ou o sentido
Deturpando a plena compreensão;
O poema de Lucrécio tem por título
De Rerum Natura, que se lê em vernáculo
Sobre a Natureza das Coisas;
É claro que o fato do nome deste livro
Que aqui escrevo ter vindo daquele
Não é mero acaso ou simples homenagem;
Pois meu impulso poético se gera
No pulo do fato que é o vetor do ato
Onde e quando a potência que quer ser vontade
Se encontra a si mesma e faz a realidade plural
Porque o real é uma infinidade em floração de eventos
E versos e versões
Vibrantes