quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Dia Internacional da Oliveira

A poesia vibra na vida pujante das pedras
Os minerais nossos pais ou avós sabem de nós
E muito mais e mais
Hoje eu quero homenagear os vegetais
E principalmente ficar feliz com a Oliveira
Hoje é o dia mundial da Oliveira
E eu sinto orgulho te ter esse nome em minha árvore
Genealógica o sobrenome da minha mãe
Eu que sou Junior e trago o sobrenome de meu pai
Eu sou também Carlos Oliveira
Essa árvore que abençoa e ilumina minha pessoa
E a humanidade inteira

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Curriculum Animae

Eu sou formado em Filosofia e Letras Português e Grego
Especializado em História da Filosofia Moderna e Contemporânea
Mestre em Letras Vernáculas Literatura Brasileira
Doutor em Ciência da Literatura Teoria Literária
Com Pós-doutorado em Estudos Culturais
Mas falo com toda a humildade:
(Cultivo a humildade do guerreiro
Não ser melhor do que ninguém
Nem ser pior do que ninguém
Da qual nos fala Don Juan
Através de Carlos Castaneda
Qualquer que tenha sido o nome pelo qual eram conhecidos
Entre os amigos mais íntimos
E todavia
Eles são realmente meus amigos)
O que eu falo com humildade é:
Não sei o que ou quem é o super-homem
Conceito que Nietzsche criou e chamou Übermensch
Que foi lido de maneira enlouquecida pelos nazistas
E com a pegada pop das revistinhas americanas
E que muita gente comenta na minha opinião com modo sem sentido
Ou com um significado meio ou muito falido
E que inspirou gente do calibre de Gilles Deleuze e Félix Guattari
A pensar que o super-homem é a nova forma que nasce
Quando o homem pratica em si mesmo o devir
Numa abertura prà máquina selvagem
Que inclui as pedras as plantas os animais
As tecnologias mais e mais e mais
Barroca ou infinita/mente sem parar
Numa espiral dupla (espiral é aberta na longitudinal
Ela sempre volta mais ampla na mesma região)
E até devir molecular atômico quântico
Esse é o ser humano
Desde os tempos até que próximos da Atlântida
E ainda muito muito muito antes
E aí você pode delirar
Ou ser racional
(Via-Láctea Sagitário Andrômeda)...
Porque nos dois casos
É mais
E esse é o significado da dupla na espiral
Como no Caduceu de Mercúrio
Que você nomeia Thot
E eu chamo Hermes

domingo, 23 de novembro de 2025

Aurum

Aquila non parit columbam
Nec columba aquilam parit
Hoc est miraculum naturae
Entia ex mundo nascuntur
Et oritur mundus ex entibus 
Et intra esse mundi
Est potentia immanens
Quae creat, transmutat et transcens

A águia não dá à luz uma pomba
Nem a pomba pare a águia
Essa é a maravilha da natureza
Que os seres nasçam do mundo
E o mundo surja dos seres
E que dentro do ser do mundo
Esteja o poder imanente
Que cria, transmuta e transcende

sábado, 1 de novembro de 2025

n! (fatorial)

O gesto e a palavra[1] mostra isso muito bem,
Mas precisamos compor com o arqueólogo
Que é seu autor André Leroi-Gouhan
(E mesmo eu me sabendo um pensador
Pré-socrático, assim como intuiu e afirmou
Jorge Mautner, na apresentação do livro
Larápio onde escreveu: “Este poeta é profeta
E pensador pré-socrático do Brasil universal
Do século XXI”[2]), e fazer a composição
Alquímica das suas teses com a compreensão
De que o tempo linear é uma ilusão
(Ou, em termos kantianos, a retilínea
Sucessão de fenômenos é uma estrutura
Da razão humana, que, junto com o a priori
Do espaço, formatam a percepção e a compreensão
Humana, tornando possível a interface
Entre o que pensamos e falamos (o logos, a palavra)
E nossas ações e realizações (os gestos);
E mais, o tempo existe para além das suas máscaras:
α) O tempo do transcurso dos fenômenos físicos,
Que é o número do movimento, como o afirmam
Aristóteles e os aristotélicos; ou ainda
β) O tempo como percepção subjetiva dos eventos
Que inclui a percepção as sensações os sentimentos
Os pensamentos os sonhos e o inconsciente e
γ) O tempo intempestivo, o que não é um paradoxo
Nem ambíguo, mas é o tempo puro, aquele carregado
Com a potência máxima do próprio tempo
Em cada instante e na própria eternidade
Amalgamados, a essência das essências)
E ao mesmo tempo é que nós temos
De mais real;
Sendo o tempo esse infinito complexo de eventos
(De diferenças em sua essência e sutis repetições,
Onde a repetição produz a diferença
E a diferença reproduz repetições)
Sendo o tempo, como eu estava falando,
Esse elemento do ser que retorna e evolui
Dentro do próprio ser que o produz,
O gesto (campo de ação) e a palavra
(Campo simbólico e social)
Do homem que os obtusos chamam “primitivo”
Está aqui, em cada homem atual
Bem como em cada ser vivo, pois o que é real
É um fatorial, isto é, o produto
(No sentido de multiplicação)
Daqueles que o antecedem, é a combinatória
Recriada
Dos seus mundos e seus tempos e retornos


[1] LEROI-GOURHAN, André. Le geste et la parole. Volume 1: tecnique et langage. Volume 2: la memoire et les ruthmes. Paris: Albin Michel, 1964, 1965.
[2] MAUTNER, Jorge. Prefácio, in MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. Larápio. Rio de Janeiro: Litteris, 2004, p. 6.